A composição da sociedade sergipana no século XIX, principalmente a do Cotinguiba não era composta somente pelo senhor de engenho e a elite branca, pois havia os negros, mestiços, índios e mulheres. Para entendermos essa sociedade do açúcar é necessário dar espaço ao outro, ao diferente que também deram sua contribuição na formação dessa sociedade.
Os negros foram essenciais para o Vale do Cotinguiba, pois com sua mão-de-obra escrava levaram o desenvolvimento do açúcar e lucros para os senhores de engenho. Mas, ao lado do trabalho forçado eles souberam lutar pela sua liberdade contra a opressão e escravização principalmente a formação de quilombos entre outras formas de resistência. A simbologia do pelourinho nos núcleos de povoamento era uma forma do senhor de engenho juntamente com o rei mostrar sua força e seu poder diante daqueles que se comportavam mal e eram punidos em público.
Já os mestiços e os índios eram vistos pela sociedade açucareira como preguiçosos e faziam parte da sociedade livre. O primeiro poderia até substituir o escravo se não fosse a sua ociosidade e o segundo viviam da agricultura de subsistência e perderam suas terras para os senhores de engenho e começaram a trabalhar como assalariados nas terras que não mais lhe pertenciam.
A mulher também nessa sociedade era inferior e tratada como objeto de interesses dos familiares, mas aos poucos com a vinda da família real ao Brasil elas foram conquistando mais espaço.
Portanto, na formação da sociedade sergipana também houve uma contribuição dos negros, mestiços, índios e mulheres não somente com a participação do senhor de engenho e da elite.
Referência:
SOUSA, Antônio Lindvaldo. Temas de História de Sergipe II. “Fios do inesperado e da resistência...”: negros, índios, mestiços e mulheres em Sergipe no século XIX. São Cristovão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010, p.93-111.
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