A historiografia paulista e baiana contribuíram para a formação da história de Sergipe na sociedade do couro, ou seja, ambas trouxeram a figura do “bandeirante” como desbravador dos sertões e grande conquistador do território brasileiro.
As versões historiográficas do mito do “bandeirantismo baiano” principalmente difundido nos Anais, IGHB (Instituto Geográfico e Histórico da Bahia), Arquivo Público da Bahia entre outros trazem os Ávila como figura central e Garcia d’Ávila o dono da Casa da Torre como um dos ilustres contribuintes para a conquista de Sergipe e o transformaram em “herói” nacional uma vez que a Bahia perdeu espaço como sede da capital da colônia portuguesa.
Os intelectuais baianos entre o final do século XIX e início do XX nas figuras de Francisco Borges de Barros, Urbino Viana e Pedro Calmon ajudaram a difusão desse simbolismo baiano ao trazer os Ávila e seus herdeiros como essenciais na conquista do sertão nordestino e contribuir para a formação do caráter nacional do povo brasileiro. Os dois primeiros autores enaltecem a figura do bandeirante baiano como “herói” desbravadores, porém o terceiro mostra a importância das grandes famílias patriarcais para a formação nacional, contudo não faz apologia a figura dos Ávila.
Já o intelectual Ângelo Emílio Silva Pessoa mostra a colonização do território sergipano não como uma ação dos grandes homens, mas os privilégios de alguns em detrimento a dos excluídos na ocupação do território para a criação do gado.
Portanto, esse mito do bandeirante baiano minimiza a parcela de contribuição que o outro (criadores de gado) tenham contribuído também para a conquista de Sergipe independente de maior ou menor importância a figura do outro está presente na sociedade do couro. Compreendemos essa mesma sociedade ao estudar sua cultura material e imaterial produzida quotidianamente por seus membros.
Referência:
SOUSA, Antônio Lindvaldo. Temas de História de Sergipe II. Caminhos da colonização da capitania sergipana: a sociedade do couro no final do século XVI ao XVIII. São Cristovão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010, p.07-32.
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